Minha

 MENTE

NOVA

Reprogramação mental ao seu alcance

Prof. Dr. Paulo Eduardo de Oliveira

 

Autossabotagem

 

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A autossabotagem é a atitude de prejudicar a si mesmo, de sabotar os próprios esforços, de minar o próprio progresso, de detonar o próprio sucesso, de boicotar a si mesmo. É uma atitude pela qual a pessoa esconde os horizontes, destrói as pontes e fecha os caminhos para si mesma.

 

A autossabotagem é um fenômeno psíquico complexo e paradoxal. Complexo porque pode ter vários fatores desencadeadores e parece estar amarrado numa teia de muitas outras questões mal resolvidas. Paradoxal porque vai contra a tendência natural de preservação e de proteção de si mesmo que existe em cada um de nós.

 

Este artigo quer ajudar você a compreender o processo da autossabotagem, assim como a enxergar caminhos de cura desse comportamento tão destrutivo. Talvez isso sirva para iluminar a sua própria jornada ou para você ajudar as pessoas que você ama ou aqueles que convivem com você no trabalho ou na sua comunidade.

 

Geralmente utilizamos o prefixo “auto” (que significa si mesmo ou por si mesmo) em referência a elementos positivos, como auto-afirmação, auto-estima, auto-imagem, auto-consciência, auto-controle, auto-proteção, auto-preservação e assim por diante. Mas, também utilizamos para noções negativas, como auto-punição, auto-engano, auto-destruição, auto-depreciação, entre outras, assim como para o próprio conceito de auto-sabotagem. (Faço questão de aqui manter o hífen para dar ênfase ao prefixo “auto”).

 

Em todos esses casos, positivos e negativos, o prefixo “auto” significa aquilo que alguém faz a si mesmo: uma ação que se volta para a própria pessoa que a faz; algo que tem o próprio agente como destinatário: “Eu faço a mim mesmo”, é a ideia central do prefixo “auto”.

 

No caso das ações ou dos comportamentos positivos, parece claro e lógico que as pessoas ajam de tal forma a garantir a si mesmas coisas boas, construtivas, fortalecedoras, que as elevem e promovam, que as conduzam à felicidade, à realização e ao sucesso. Isso parece corresponder à lógica natural da vida, que se empenha sempre em garantir, sustentar e favorecer a própria vida. É a vida defendendo e apoiando a própria vida!

 

Porém, nos casos de comportamentos negativos, fica difícil entender, num primeiro momento, qual é a “lógica” que se esconde por trás de tais atitudes. É preciso uma atenção especial para podermos enxergar como a mente humana constrói toda uma estrutura de funcionamento que justifica e convalida, para si mesma, os comportamentos negativos que são desencadeados contra a própria pessoa.

 

O que eu quero apresentar à sua reflexão, neste artigo, é justamente isso: a lógica que existe por trás dos comportamentos de autossabotagem. Compreendendo esta lógica, é possível, pouco a pouco, quebrar a sequência de procedimentos e, literalmente, sabotar a autossabotagem: esse é o caminho da cura e da transformação pessoal.

 

A autossabotagem se caracteriza como um padrão de pensamento negativo, limitador e enfraquecedor, que restringe a vida das pessoas e cria barreiras auto-impostas, que fecham os caminhos e as oportunidades das próprias pessoas. É um aprisionar-se a si mesmo, mantendo nas mãos a chave da cela!

 

Por que eu digo que se trata de um padrão de pensamento? Porque antes de se manifestar como ação e comportamento, a autossabotagem se manifesta como um processo mental. Este processo mental pode ser descrito como uma série de pensamentos (ideias, diálogo interior, vozes mentais, imagens mentais, lógica pessoal, lembranças, registros emocionais etc.), produzidos geralmente no nível inconsciente da nossa mente: a pessoa geralmente não tem consciência de que este processo está em funcionamento na sua mente. Este processo mental, inicialmente oculto, manifesta-se ou se externaliza, em seguida, em uma série de atitudes e comportamentos também padronizados.

 

Trata-se, literalmente, de uma programação mental: é um modo padrão, repetitivo, inconsciente e automático de funcionar. A partir de um evento disparador (um gatilho mental), o processo todo se inicia na mente, como padrão de pensamento, conduzindo em seguida a comportamentos, ações e atitudes igualmente padronizadas e estereotipadas.

 

Um exemplo simples: a maioria de nós não gosta de receber críticas. As críticas, de alguma forma, diminuem nossa apreciação pessoal e nossa auto-estima. As críticas sempre nos aborrecem, mas geralmente conseguimos seguir adiante, tão logo o aborrecimento passa. Contudo, algumas pessoas fazem da crítica um gatilho mental, que desencadeia um determinado padrão de pensamento negativo e destruidor e que leva, por fim, à tomada de atitude ou a um comportamento específico igualmente negativo e destruidor, geralmente dirigido contra a própria pessoa. Elas assumem a crítica como um disparador da programação mental negativa que carregam dentro de si. A crítica pode reforçar, dentro delas, a falsa consciência de que elas não merecem; ou de que elas têm pouco valor; ou de que são culpadas; ou de que elas são rejeitadas; ou de que elas não podem ter sucesso; ou de que elas são inadequadas; ou de que elas estão no lugar errado; ou de que este caminho não é para elas... etc... etc. Como consequência, elas “chutam o próprio balde”, desistem, fecham-se em si mesmas, retrocedem, dinamitam a própria ponte que as levaria ao caminho do sucesso e da realização. É exatamente assim que funciona a programação mental da autossabotagem.

 

O pior de tudo é que os comportamentos autossabotadores geram uma espécie de satisfação pessoal, um estranho sentimento de dever cumprido, como se fosse a melhor escolha a ter sido feita. Isso acontece porque, de certa forma, a atitude de autossabotagem reduz a pressão interior, alivia a tensão negativa, minimiza a força dos elementos negativos que fervilham na mente da pessoa e alivia os sentimentos desagradáveis que a pessoa tem. Por mais que seja doloroso, o comportamento autossabotador parece corresponder melhor à imagem negativa que a pessoa tem de si mesma: “Agora está bem, eu não mereço mesmo, melhor ficar assim, então!” Esse pensamento-sentimento (quase sempre inconsciente) acaba reforçando e solidificando ainda mais a programação mental da autossabotagem, pois a pessoa se convence de que agiu da melhor forma e, no futuro, deverá agir do mesmo modo. O padrão de pensamento passa a ser também um padrão de comportamento, que justifica e alimenta o mesmo padrão de pensamento: o ciclo fica completo!

 

Agora, você deve estar se perguntando: mas, por que as pessoas agem (e nós mesmos agimos, quem sabe) assim? Se este comportamento é totalmente destrutivo, limitador e contraproducente, por que as pessoas acabam caindo na armadilha da programação mental da autossabotagem? Como eu disse no início deste artigo, o problema é complexo e apresenta uma teia intrincada de fatores, todos amarrados entre si. Vamos analisar alguns deles, sem a pretensão de esgotar todo o assunto.

 

Esta lista de “causas” tem muita relação com a formação da pessoa no tempo da infância. Sim, nossa infância marca a nossa vida de forma bastante expressiva (para o bem e para o mal). Em meu artigo sobre a Criança Interior eu analiso melhor este tema.

 

Vejamos, então, algumas das principais causas da autossabotagem:

 

1. Baixa auto-estima, visão negativa de si. Esta é uma das principais causas da autossabotagem. Por alguma razão, em sua história de vida, algumas pessoas desenvolveram uma programação mental em que a imagem de si mesmas lhes aparece como negativa, de pouco valor, inadequada. Elas podem ter sido criadas num ambiente de pouca valorização e estima; podem ter sido muito repreendidas ou humilhadas; podem ter sido rejeitadas ou comparadas com irmãos considerados “melhores”... etc... etc. Elas não gostam de se ver no espelho (real ou mental), pois isso acaba gerando nelas sentimentos negativos, sensações desagradáveis. Elas sentem um tipo de desconforto quando pensam em seu valor pessoal, sempre colocado em xeque por si mesmas. Elas não acreditam em seu potencial e têm dificultado de aceitar elogios ou comentários favoráveis a seu respeito, pois isso se choca com a imagem pessoal negativa que elas têm de si mesmas. Costumam ser mais tolerantes ou resignadas às frustrações, pois têm poucas expectativas sobre si mesmas, achando que é “normal” e até mesmo “justo” que não tenham tudo o que desejam e sonham. Por isso, quando as coisas se mostram favoráveis a elas, essas pessoas tendem, de algum modo, a sabotar as próprias conquistas, para não parecer que estão usurpando de algo que não lhes cabe nem pertence.

 

2. Sentimento de não-merecimento. Este é um dos sentimentos negativos com maior poder de destruição em nosso psiquismo. É também um dois mais influentes agentes nos processos de autossabotagem. As pessoas que sentem que não merecem podem perceber-se assim em razão da baixa auto-estima, como visto no item anterior, mas também em razão de uma história de vida marcada pela rejeição ou por grandes privações e carências: a mensagem que ficou registrada em seu inconsciente pode ter sido de que “eu não tinha porque não merecia; eu não recebia porque não merecia”. Podem também ter sido educadas por pais muito severos e punitivos, que reforçaram na mente dela a ideia de que ela não merece (atenção, cuidado, carinho, amor etc... etc.), porque é inadequada, desajeitada, desastrada, “burra”, desobediente, teimosa... etc. Com todas estas marcas negativas em sua biografia, estas pessoas tendem a admitir que “para os outros, sim; para mim, não, porque eu não mereço”. Com esta programação mental de não-merecimento, a autossabotagem é uma consequência quase natural: sempre que algo parece promissor, a própria pessoa aperta o botão do detonador, pois não cabe na mente dela que ela mereça aquilo. Fatos e acontecimentos favoráveis geram um choque na programação mental de quem vive o sentimento de não-merecimento: “Não, deve haver algum engano... isso não deve ser para mim! Afinal, eu não mereço...” e, então, ela mesma providencia o próprio fracasso. Podem parecer pessoas pessimistas, que acreditam que as coisas nunca funcionam para elas (somente para os outros), mas no fundo acabam se conformando com isso, sem revolta expressa, pois assim vivem de forma mais “afinada” e “coerente” com sua programação mental de não-merecimento. Revoltar-se seria um caminho de libertação, mas elas ainda não têm consciência disso, por isso vivem resignadas na própria frustração.

 

3. Medo do fracasso. Esta é outra causa dos processos de autossabotagem. Pessoas que tenham sido marcadas, em sua história de vida, por exigências excessivas de perfeição, de bom comportamento, de sucesso e de vitória em tudo (a criança que não pode perder nem errar nem fracassar) acabam desenvolvendo a programação mental do medo do fracasso. Na medida certa e de forma adequada, o impulso para ser melhor e vencer deve resultar num fator positivo de auto-superação, de maior motivação para o sucesso, de maior entusiasmo para seguir caminhos de maior altitude. Porém, quando este impulso é excessivo e se torna cobrança exagerada, acaba levando justamente ao oposto desse resultado: a pessoa recua, fecha-se em si mesma, protege-se, foge de toda e qualquer ameaça ao fracasso. Movida por esta programação mental negativa, a pessoa tende a evitar toda oportunidade e chance que surge à sua frente, com medo e receio (e até pavor) de tentar e não ser capaz de chegar a bom termo. Ela boicota a si mesma, evitando dar o passo inicial, que poderia levá-la, eventualmente, ao fracasso. O medo do fracasso é tão poderoso dentro dela que a impede até mesmo de tentar. Na mente dele, tentar e falhar é algo inconcebível, pois muito doloroso. Na mente dela, a possibilidade de êxito tem força motivadora muito menor do que o medo do fracasso. Por isso, para ela é muito mais fácil (e lógico) desistir do que arriscar.

 

4. Excessiva culpabilidade: “eu preciso me punir”. Esta é outra causa dos processos de autossabotagem. As pessoas que carregam a programação mental da culpabilidade excessiva acreditam que devem fracassar, pois isso é uma forma da punição que merecem por suas falhas e erros. A origem dessa programação pode estar nas vivências infantis em ambientes muito rigorosos, exigentes e punitivos (família, escola, igreja), em que os erros da criança eram potencializados, em detrimento dos seus acertos. Ela pode ter crescido ouvindo mensagens como “você nunca acerta; faz tudo errado; a culpa foi sua; você sempre é o culpado; veja como são grandes os seus erros” etc. Na medida certa (sempre é assim, como os antigos romanos diziam: virtus in medio est: a virtude está no meio)... Sim, sempre na medida certa, o sentimento de culpa faz parte da formação da nossa consciência moral: a culpa nos leva a perceber que agimos mal e que devemos corrigir nosso comportamento. Jamais sentir culpa é comportamento patológico, que sugere insensibilidade, incapacidade de empatia, carência de compaixão etc. Porém, a culpa deve ser sentida na medida certa. E ela deve ser vivida como um sinalizador provisório, para que eu refaça o caminho, corrigindo (na medida do possível) o meu erro, e não como uma marca definitiva em minha testa. Quem carrega a programação mental da culpabilidade excessiva tende a se autossabotar como forma de autopunição: “eu mereço sofrer; eu mereço castigo; eu mereço fracasso... porque sou culpado!” É o complemento do sentimento de não-merecimento, como vimos acima: “não mereço, porque sou culpado”; “eu sou culpado: não tenho o direito de me dar bem nisso!”. Pensamentos assim, sempre desencadeados num nível inconsciente, são os responsáveis por levar as pessoas a comportamentos de autossabotagem. Enquanto estas pessoas não desenvolverem plena consciência desse seu mecanismo mental, dificilmente poderão se transformar e libertar-se de suas programações mentais negativas.

 

5. Carência de proteção. Este é outro fator que pode levar às programações mentais de autossabotagem. Crianças superprotegidas (apesar da boa intenção de seus pais) acabam crescendo com uma visão negativa de si mesmas: “eles me superprotegem porque sou incapaz de me proteger a mim mesma”). Isso gera na mente inconsciente da criança um comportamento de constante carência de proteção (“os outros precisam me proteger”), que vai se manifestar, na vida adulta, como um sentimento de incompetência pessoal ou de incapacidade ou de vulnerabilidade. Naturalmente, quem vive assim não se expõe a riscos, evita situações de protagonismo, acaba se limitando a experiências em que sua aparente proteção não será ameaçada. Ocorre que, na vida real, situações como estas são muito limitadas e limitadoras. Assim, as pessoas que carregam esta programação mental costumam usar da autossabotagem como forma de voltar para a proteção do ninho, sem risco ou ameaça.

 

6. Necessidade excessiva de agradar aos outros. Eis outra causa dos comportamentos de autossabotagem. Pessoas que, programadas mentalmente para agradar aos outros, acabam anulando a si mesmas. Isso pode acontecer na família, na vida profissional, até mesmo entre amigos: algumas pessoas costumam sempre preterir a si mesmas em razão da necessidade excessiva que sentem de agradar aos outros, de privilegiar os outros, de dar preferência aos outros, de colocar os outros em primeiro lugar. Isso pode parecer generosidade, solidariedade e até mesmo amor genuíno, mas o problema está no excesso: a necessidade quase compulsiva que a pessoa sente de deixar todo mundo satisfeito e agradado, mesmo que isso exija anular-se a si mesma. Esta programação mental pode ter tido origem na vivência familiar em que os pais exigiam da criança constantes provas de amor, constantes manifestações de agrados, constantes expressões de que a criança estava atenta aos gostos e às vontades dos pais: “faça assim porque mamãe gosta; não faça assado porque papai não gosta; papai e mamãe ficam contentes quando você faz assim; papai ficou tão descontente com você... mamãe ficou tão aborrecida com você... não faça mais assim”. Mensagens como estas cristalizam no inconsciente da criança a programação mental da necessidade excessiva de viver para sempre agradar aos outros, em detrimento da exigência de agradar a si mesma e de satisfazer aos próprios desejos, interesses e necessidades. Para estas pessoas, é muito mais fácil (e menos doloroso) dizer não a si mesmas do que dizer não aos outros. A autossabotagem (eu não, o outro sim; o outro primeiro, eu depois) é um processo que decorre “naturalmente” a partir desta programação mental. Sublinhei o advérbio “naturalmente” porque, para a pessoa, parece que é mais natural agir assim, sem considerar que se trata do resultado de uma programação, ou seja, de uma aprendizagem (não natural).

 

7. Tipo de personalidade escapatória. Por fim (mas, sem esgotar o tema, como eu já disse), outra causa da programação mental de autossabotagem pode estar relacionada a um tipo de personalidade de escapismo, de fuga, de insegurança, de sempre ficar com um pé atrás. De fato, há pessoas que parecem nunca se entregar por completo, que sempre têm um plano B, que facilmente “escorregam” para uma alternativa paralela, que não levam à frente aquilo em que se engajam (porque, de fato, jamais se engajam). Podem ter sido educadas num ambiente de insegurança, em que sempre era preciso pensar em alternativas de escape. Podem ter tido pais excessivamente preocupados e temerosos, que viam risco em tudo e que viviam em estado de prontidão, com um esquema defensivo sempre à mão. Podem ter tido experiências de muita instabilidade e mudança, em que as coisas mais ou menos fixas acabavam sendo vistas como ameaças ou como meras utopias. Enfim, há uma série de possibilidades. O que importa para nós é entender que este tipo de personalidade pode conduzir a processos de autossabotagem. A própria pessoa acaba minando suas possibilidades de sucesso, por estar sempre envolvida somente “até certo ponto” com as realidades de sua vida (trabalho, relacionamento, estudos, outros compromissos). Facilmente, ela tende a escapar da situação e a passar para a alternativa mais disponível no momento.

 

Essas causas da programação mental de autossabotagem são suficientes para nos ajudar em nosso processo de autoanálise e de autoconhecimento, assim como podem nos ajudar na compreensão das outras pessoas.

 

O mais importante é compreendermos que se trata de uma programação mental, isto é, de algo que foi aprendido e internalizado: não é um programa inato, permanente nem definitivo em nossa vida. Portanto, se um dia nós programamos a nossa mente para funcionar desse modo, hoje podemos desprogramá-la e reprogramá-la de forma mais adequada, produtiva, fortalecedora e gratificante.

 

Para finalizar este artigo, eu gostaria de ajudar você a refletir sobre algumas formas de como a programação mental da autossabotagem se manifesta. Ela é sempre muito sutil, como todas as programações mentais da nossa mente inconsciente, por isso é preciso atenção para enxergar seus discretos sinais.

 

(Um parêntesis: E por que a autossabotagem se manifesta de forma sutil e não escancarada? Porque ela é, sem dúvida, uma forma inadequada, ilógica, incoerente e irracional de funcionamento pessoal. Se fosse manifesta de modo explícito, perderia sua força diante do poder da consciência e da força da mente analítica, que poderia perceber facilmente suas incongruências e limitações. É aí que reside a possibilidade de reprogramar a nossa mente: tornar mais consciente aquilo que escondemos de nós mesmos!)

 

Acompanhe comigo, então, algumas dessas formas ou desses sinais sutis de manifestação da programação mental de autossabotagem:

 

a) Negação das próprias necessidades, desejos ou interesses. É a atitude de fazer de conta que nós não gostamos disso, que não queremos, que não precisamos. É rejeitar aquilo que nós, no fundo, mais gostaríamos de ter.

 

b) Criar desculpas para evitar a ação. É o comportamento de criar subterfúgios e justificativas (que acreditamos sinceramente serem válidas) para evitar um comportamento focado e assertivo, que poderia nos levar a obter resultados e chegar ao sucesso.

 

c) Falta de perseverança ou tendência a desistir. Trata-se da atitude que podemos ter de seguir, normalmente, até certa altura, sem jamais concluir a jornada. O entusiasmo inicial facilmente dá lugar à desmotivação, à dúvida e à insegurança, que nos faz engatar marcha à ré.

 

d) Comportamento de procrastinação. É a atitude constante de adiamento ou de postergação, que nos faz deixar tudo sempre para depois, ou fazer no limite do tempo, ou abusar dos prazos. No fundo, corresponde a uma atitude de “não fazer” e de “não querer”, mas que fica de certa forma aliviada quando dizemos para nós mesmos (e para os outros) que “faremos depois”.

 

e) Atitude de vitimização. Este comportamento ocorre quando temos a tendência de nos enxergar sempre como reféns ou vítimas de uma determinada situação. É esta situação que seria a “causa” do nosso fracasso ou insucesso, o que nos leva a jamais admitir a nossa própria participação como “agentes” do próprio fracasso. Vivemos sempre na condição de passividade, de para-raios, que reagem somente pela força de outra ação sobre a qual pouco ou nada podem fazer.

 

f) Transferência de responsabilidade. É a atitude de sempre admitir que “não sou eu, são os outros!” Transferir para os outros a nossa responsabilidade é uma forma de acobertar nosso comportamento de autossabotagem. Tirar das nossas costas o problema e jogar nas costas dos outros é uma forma sutil de negar que somos nós mesmos quem nos sabotamos, prejudicamos e boicotamos.

 

g) Auto-anulação em prol dos outros. Atitudes excessivamente generosas e “caritativas”, a ponto de levar à excessiva anulação de si mesmo, aparece mascarada de comportamento positivo, mas pode ocultar as franjas da autossabotagem. Quando assumimos a “vocação de mártir” (“eu posso sofrer, os outros, não!”), podemos estar escondendo de nós mesmos a programação da autossabotagem que está “rodando em segundo plano” em nossa mente.

 

h) Esquecimentos programados. Este comportamento ocorre quando, de forma inconsciente, “deliberamos” esquecer de coisas que nos seriam favoráveis e benéficas. Na vida pessoal, familiar e profissional, há mil e uma situações em que nós podemos simplesmente “esquecer” para, assim, justificar nosso fracasso e dar corda à nossa programação mental de autossabotagem.

 

Cabe a cada um de nós a tarefa de analisar, com cuidado e humildade, estas sutis manifestações da programação mental da autossabotagem e perceber se, de uma forma ou de outra, não somos também levados a agir desse modo. Sem consciência, não existe nenhuma possibilidade de transformação pessoal. É por isso que só podemos mudar a nós mesmos, mas jamais podemos mudar os outros quando estes não querem ou não percebem a necessidade de mudança.

 

O que mais me interessa com este texto (e com todo o meu trabalho) é mostrar às pessoas que a autossabotagem, como qualquer outra programação mental, pode ser desprogramada e reprogramada. Não se trata de uma sentença definitiva em nossa vida. Não é uma doença crônica, nem um modo de ser permanente e irrenunciável. Ao contrário, toda programação mental negativa pode ser desprogramada e reprogramada de forma mais positiva, favorável e realizadora em nossa vida. O desafio está em nossas mãos e, sobretudo, em nossas mentes!

 

Eu desejo a você que este caminho de transformação pessoal possa ocorrer em sua vida ou na vida das pessoas que você ama! E me coloco à sua disposição naquilo em que eu puder contribuir e ajudar!

 

Prof. Dr. Paulo Eduardo de Oliveira