Minha

 MENTE

NOVA

Reprogramação mental ao seu alcance

Prof. Dr. Paulo Eduardo de Oliveira

 

Reprogramação mental: a aventura de descobrir novos caminhos

 

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Nossa mente funciona naturalmente a partir de programações, isto é, de uma sequência de ações repetitivas e padronizadas, que respondem às nossas necessidades de ação e de reação naquelas situações rotineiras e que não exigem criatividade e inovação. Ninguém de nós inventa, todos os dias, um jeito novo de escovar os dentes ou de comer ou de amarrar os sapatos ou de abrir e fechar a porta de casa ou de dirigir de casa para o trabalho... fazemos tudo isso sem pensar, guiados pela programação mental dessas ações.

 

O cérebro cria essas programações para poupar tempo e economizar energia. Seria muito demorado e dispendioso, do ponto de vista do consumo de energia, criar todos os dias novos métodos para as ações de rotina. É assim que nascem os hábitos, os costumes, os vícios e os padrões de comportamento!

 

Algumas dessas programações são inatas e correspondem, basicamente, aos nossos comportamentos instintivos. Por exemplo, quando reagimos a algo que nos ameaça, nosso comportamento segue a programação instintiva de defesa e autoproteção (o grito, o pulo, a fuga, o estado de alerta, a aceleração cardíaca etc.).

 

Também são inatas algumas manifestações da nossa personalidade e do nosso temperamento (se somos mais introvertidos ou extrovertidos, mais racionais ou sentimentais, mais dóceis ou mais turrões etc.).

 

Mas, a maioria das nossas programações mentais é resultado da aprendizagem. Nossas experiências de vida, o modelo familiar, a educação que recebemos, a cultura e o ambiente onde fomos inseridos, os tipos de relações que vivemos, os desafios que enfrentamos, as situações pelas quais passamos... etc... tudo isso criou em nossa mente uma série sem fim de programações mentais, que nos ajudam a realizar as tarefas básicas da vida e a responder às demandas que vão surgindo.

 

Da língua que falamos à nossa atividade profissional; dos pratos que apreciamos ao nosso estilo de vestuário; da forma como educamos nossos filhos ao modo como nos relacionamos com as pessoas; da forma de enfrentar os problemas ao modo típico de enxergar a nós mesmos; do jeito de entender a vida à nossa relação com o transcendente... etc... tudo segue, de forma mais ou menos intensa e rígida, o itinerário fixo das nossas programações mentais.

 

Os traços típicos de uma programação mental podem ser assim resumidos:

 

a) São ações rotineiras e habituais, que fazemos repetidas vezes, em diferentes circunstâncias ou em situações assemelhadas.

 

b) São comportamentos padronizados, sem alteração, sem novidade, repetidos sempre do mesmo modo.

 

c) São atitudes inconscientes, que fazemos sem pensar e por impulso, no modo de “piloto automático”, tomando consciência somente depois da ação, mas geralmente sem tomar consciência de que agimos assim.

 

d) São ações e reações que parecem ser a única alternativa, o único modo de comportamento, a única opção que temos, o único caminho a seguir.

 

e) São comportamentos que se fundem ao nosso modo de ser e que, por isso, nos levam a pensar ou dizer que “eu sou assim mesmo”, sobretudo quando se trata de comportamentos negativos (eu sou fumante; eu sou impulsivo; eu sou agressivo; eu sou possessivo; eu sou sedentário; eu sou tímido; eu sou um fracasso).

 

Em todos esses traços, deve-se sublinhar o poder de ação da mente inconsciente, que nos leva a agir de modo automático e impulsivo, como um verdadeiro programa que roda dentro da nossa mente, de forma independente e autônoma.

 

É claro que existe a interferência da nossa mente consciente em nossas ações (afinal, não somos apenas robôs guiados pelas nossas programações mentais... como também não somos sonâmbulos o tempo todo). Porém, os limites do consciente são muito pequenos em relação ao poder do inconsciente em nossa vida, como Sigmund Freud e Carl Jung ensinaram de forma incansável, profunda e contundente.

 

Comparado a um iceberg, a fração consciente da nossa mente corresponde à parte visível, enquanto a porção submersa, muito mais volumosa, corresponde à parte inconsciente. Isso significa que a grande maioria das nossas ações e dos nossos comportamentos é motivada e guiada por processos inconscientes, que fazemos literalmente “sem pensar”. É assim também que nossas programações mentais funcionam. Quando vemos, já fizemos! Quando tomamos consciência, já é tarde! Quando damos conta disso ou daquilo, percebemos que agimos do modo como sempre fizemos!

 

A tomada de consciência das nossas ações, obviamente, pode modificar nossos comportamentos e tem o poder de, literalmente, enfraquecer nossas programações mentais. E isso ocorre de forma diretamente proporcional: quanto maior o nível de consciência, mais poder nós temos para controlar nossas programações mentais. Nós somos capazes de frear as nossas programações, de dar-lhes uma nova direção, de modificar nossas ações e reações. Nossas programações mentais não são uma sentença definitiva, um destino absoluto, um acordo imutável. Se elas fossem assim, a reprogramação mental seria apenas uma ilusão e nós seríamos condenados a viver como robôs, que não conseguem fugir ou escapar dos programas que neles foram instalados.

 

Mesmo as programações instintivas podem ser reprogramadas: o medo de altura é reprogramado na mente de um paraquedista; a aversão a sangue é reprogramada na mente de um cirurgião ou de um açougueiro; o impulso sexual é reprogramado na mente de um celibatário. Também os nossos traços de personalidade e de temperamento podem ser “reeducados” e, portanto, reprogramados: um introvertido pode reprogramar a sua mente para ser mais aberto e extrovertido; um colérico pode reprogramar a sua mente para ser mais cordial e gentil.

 

Sim, nós podemos mudar! Essa é a boa notícia! Nossa mente está constantemente (e naturalmente) sendo programada-desprogramada-reprogramada. Cada nova aprendizagem realiza este processo! Quando mudamos de emprego ou de profissão, nossa mente entra no processo de programação-desprogramação-reprogramação. O mesmo acontece quando mudamos de cidade, de país ou de cultura, quando aprendemos uma nova língua, quando iniciamos um novo relacionamento, quando decidimos romper com um hábito ou vício, quando adotamos uma nova dieta, quando mudamos de partido ou de time de futebol... ou quando simplesmente decidimos ir de casa para o trabalho por um novo trajeto!

 

As velhas trilhas neurais (os caminhos de neurônios criados na mente) são substituídas por novas trilhas neurais! E a nossa mente se reconfigura, se reprograma, se torna uma mente nova!

 

Esse processo é natural em nossa mente! Dos primeiros meses de vida intrauterina, quando as estruturas cerebrais começam a se formar, ao último instante da nossa vida, nossa mente está envolvida intensamente neste constante e incansável processo de programação-desprogramação-reprogramação.

 

Não pensemos que tudo é simples e funciona como num passe de mágica: depende muito do nosso grau de consciência, da profundidade das raízes de nossas programações mentais, dos aspectos da nossa vida que são afetados, dos fatos desencadeadores, da nossa motivação para mudar etc. Mas, em dicionário algum dificuldade é sinônimo de impossibilidade! Portanto, não podemos desanimar nem precisamos nos conformar com a situação atual ou nos sentir derrotados! Mesmo com suor e lágrimas, podemos transformar a nossa vida, reprogramando a nossa mente!

 

As palavras programação e reprogramação facilmente nos remetem ao contexto da informática. De fato, muitas vezes, usamos a metáfora do computador para entender como nossa mente funciona. Porém, aqui devemos ter muito cuidado para não pensar que, em nossa mente, o processo é tão simples quanto “deletar” um arquivo ou “reinstalar” um programa em nosso PC ou em nosso smartphone.

 

Nós somos seres humanos em cuja mente não estão registrados apenas dados e informações, mas está escrita a nossa história de vida. Por isso, a possibilidade real de reprogramação da nossa mente leva sempre em conta esse aspecto existencial das nossas memórias e lembranças. Não podemos, simplesmente, “deletar” uma memória dolorosa ou traumática: é preciso, ao contrário, assumi-la e dar-lhe novos significados e novas compreensões, a partir de um novo olhar, de uma nova perspectiva, de uma nova mentalidade.

 

Essa nossa capacidade natural de reprogramar a nossa mente se torna ainda mais importante quando se refere aos nossos padrões de comportamento limitadores, negativos e destrutivos. Todos os comportamentos destrutivos, limitadores e negativos são resultados de nossas programações mentais. E todas essas programações mentais negativas, limitadores e destrutivas foram aprendidas, pois ninguém de nós nasce com comportamentos inatos que vão contra a própria pessoa: faz parte do nosso instinto de autoafirmação e de autoproteção a atitude de lutar para defender a vida e, jamais, para colocá-la em risco. Portanto, se existe em nós alguma programação mental negativa, podemos ter a plena certeza de que, de alguma forma, nós a aprendemos ao longo da nossa história de vida.

 

O tema dos padrões de comportamento negativos e limitadores foi mais amplamente desenvolvido em meu livro Você pode transformar a sua vida. Neste artigo, faço apenas alguns acenos, pela limitação de espaço aqui disponível.

 

Todos nós temos um ou outro comportamento inadequado que nos prejudica. Esses comportamentos agem como programações mentais, seguindo os traços típicos das programações mentais, como vimos acima: a) são ações rotineiras e habituais: b) são comportamentos padronizados, sem alteração; c) são atitudes inconscientes, que fazemos sem pensar e por impulso; d) são ações e reações que parecem ser a única alternativa; e) são comportamentos que se fundem ao nosso modo de ser.

 

Alguns exemplos mais frequentes desses padrões de comportamento negativos e limitadores são estes: autossabotagem, vitimização, “coitadismo”, complexo de perseguição, complexo de inferioridade, baixa autoestima, culpabilidade excessiva, complexo de fracasso, excessiva dependência dos outros, necessidade aguda de aprovação, exibicionismo, procrastinação, pensamento mágico, pessimismo, derrotismo, pensamento trágico, dependências de diversos gêneros (fumo, bebida, droga, trabalho excessivo, comida excessiva, poder, prazer, posses etc.).

 

Todos esses comportamentos são vividos por nós como programações mentais. À medida que vamos tomando consciência da sua existência e ação em nossa vida, podemos enfraquecer a força do automatismo com que eles agem em nós. E, quando existe motivação suficiente e uma estratégia adequada, podemos reprogramar a nossa mente e libertar-nos daquilo que nos aprisiona dentro da nossa própria mente.

 

A base fundamental da reprogramação mental é a possibilidade que temos de enxergar que existem outros caminhos, que há outras trilhas e estradas a serem percorridas em nossa vida, que há novos horizontes a iluminar a nossa jornada.

 

A prisão em nossas programações mentais nunca é uma sentença de prisão perpétua! Por isso, eu me sinto bastante motivado em ajudar as pessoas a saírem de suas prisões. E meu trabalho consiste em mostrar que a chave da cela está em suas próprias mãos!

 

Faço votos de que essas reflexões possam ajudar você ou as pessoas que você ama no permanente esforço que todos nós fazemos para sermos pessoas melhores, mais realizadas, equilibradas e felizes.

 

Prof. Dr. Paulo Eduardo de Oliveira